Como criar um AI Council no Claude: 5 personas para tomar decisões melhores

Um guia prático de prompt engineering para usar personas, multi-perspective prompting e síntese no Claude sem transformar tudo num sistema multiagente.

Cinco peças de jogo em madeira dispostas em círculo à volta de uma folha com uma lista de três pontos assinalados, cada peça marcada com um símbolo diferente e um balão de fala por cima.

Há um tipo de resposta de AI que me irrita particularmente: aquela que está tecnicamente certa e não ajuda em nada. Perguntas se deves aumentar um preço ou contratar alguém, e recebes quatro parágrafos equilibrados sobre vantagens, riscos e "fatores a considerar". No fim continuas exatamente com a mesma decisão por tomar.

Uma técnica de prompt engineering que tenho usado para fugir disso é o que muita gente chama de AI Council: pedir ao Claude para analisar a mesma decisão através de várias personas antes de produzir uma conclusão. Também aparece com nomes como role prompting ou multi-perspective prompting. O nome é menos importante do que a ideia.

Não são cinco agentes, nem um sistema multiagente, nem vários modelos a responder à mesma pergunta. É o mesmo modelo, só obrigado a olhar para o problema de posições diferentes antes de responder.

E a parte divertida é escolher quem se senta à mesa.

As cinco personas do meu AI Council

O Contrário é aquela pessoa ligeiramente irritante que encontra o buraco no plano quando toda a gente já estava entusiasmada. A pergunta dele é simples: onde é que isto parte? E o que estou a subestimar por estar demasiado perto do problema?

O Fundamentalista não aceita a pergunta como veio. Se perguntas "devo aumentar o preço?", ele pode responder que o problema talvez nem seja o preço.

O Ambicioso faz o contrário: assume por uns minutos que a ideia funciona e pergunta se não estás a pensar pequeno demais.

O Estranho vem de fora. Tenta olhar para o problema como olharia um hotel, uma companhia aérea, um supermercado, alguém que não conhece as regras do teu setor e por isso não sabe o que "não se faz".

O Executor já está cansado da conversa (provavelmente com razão). Quer saber o que fazemos segunda-feira.

Depois entra uma sexta função, que nem precisa de personalidade: a síntese. O modelo lê as cinco perspetivas e responde três coisas: o que faria, qual é o maior risco e qual é o primeiro passo.

O prompt para criar o AI Council no Claude

Não precisa de ser muito sofisticado:

Ajuda-me a pensar sobre esta decisão a partir de cinco perspetivas.

1. Contrário
Procura o ponto mais fraco da ideia. O que estou provavelmente a subestimar?

2. Fundamentalista
Questiona a própria pergunta. Estou a tentar resolver o problema certo?

3. Ambicioso
Se isto funcionar, qual é a oportunidade maior que posso não estar a ver?

4. Estranho
Traz uma perspetiva de outro setor ou maneira de pensar.

5. Executor
Diz o que faria concretamente a seguir.

Quero que discordem entre si quando fizer sentido.

No fim, faz uma síntese e responde:

* o que farias;
* qual é o maior risco;
* qual é o primeiro passo.

A decisão é:
[escreve aqui]

Podes usar isto numa conversa normal no Claude. Se acabares por usar frequentemente, também podes guardar as instruções num Claude Project ou noutras instruções persistentes e mudar apenas a pergunta.

Mas eu não faria isso logo. Primeiro testaria.

O primeiro prompt provavelmente não é o melhor

As personas no papel parecem sempre melhores do que na prática.

Experimenta o AI Council com uma decisão real. Se o Contrário só inventa riscos genéricos, precisa de ser afinado. Se o Ambicioso começa sempre a sugerir "transformar isto numa plataforma", também. Se o Estranho passa a vida a fazer analogias com a Apple, despede-o. E se os cinco chegam essencialmente à mesma conclusão usando palavras diferentes, volta às instruções e mexe nelas.

É assim que eu trato este tipo de prompt: testo, vejo onde falha e vou afinando para o tipo de decisões que realmente tomo.

As personas também podem mudar

As cinco acima funcionam bem para decisões gerais, mas não há nada de especial nesses cinco nomes. Para uma decisão financeira, talvez queira alguém obcecado com números; para produto, alguém que só represente o cliente; para uma decisão de marca, talvez uma persona cuja única função seja perguntar "isto parece-nos a nós?". E para uma decisão técnica talvez trocasse metade da mesa.

Se duas personas estão à procura da mesma coisa, uma delas está a mais. Os nomes engraçados são só embalagem.

Quando um AI Council ajuda

Não usaria isto para perguntas factuais. Se quero saber quanto paguei por alguma coisa, não preciso de cinco opiniões.

Uso quando há uma decisão em que várias respostas parecem razoáveis. Preço é um bom exemplo. Contratar alguém também. Escolher entre dois projetos. Decidir por onde começar a digitalização da empresa. Decidir se vale a pena continuar algo que já consumiu demasiado tempo.

E continuo a não tratar a conclusão como verdade. Um AI Council no Claude não cria cinco especialistas independentes. Para mim serve sobretudo para evitar aquela resposta média em que o modelo mistura tudo cedo demais.

Às vezes uma das personas diz uma coisa que eu não tinha considerado. Às vezes todas dizem banalidades. Nesse caso volto ao prompt e mexo nele. Também faz parte.

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