Toda a gente vê a campanha.
Esta página são as quatro camadas por baixo dela.
- 01 Campanhas o que se vê
- 02 Dados radar e ficheiros
- 03 Fluxos skills, MCP, API
- 04 Decisões crivo humano
Os números desde o arranque
Atualizado a 23 de agosto de 2026
01 Campanhas
A camada de cima é a única que sai daqui. Um post no LinkedIn, um artigo longo, o sinal curto que escrevo quando alguma coisa acontece nesse dia. É o que toda a gente vê, e é a razão desta página existir: o post que trouxe muita gente cá acima descreve uma máquina, e uma máquina descrita continua a ser uma máquina que ninguém viu.
Cada peça sai em português e em inglês, escrita de raiz nas duas línguas em vez de traduzida à letra. As duas versões ficam ligadas uma à outra na base de dados, e é daí que o seletor de língua lá em cima sabe para onde há de saltar quando alguém o carrega.
02 Dados
Por baixo está o que alimenta a camada de cima. Um radar corre de madrugada e passa por onze repositórios de código a ver o que lançaram (LangGraph, CrewAI, n8n, Temporal, a especificação do MCP, a do A2A, e assim por diante), por quatro publicações que sigo, pelo arXiv na secção de sistemas multiagente, e pelo Hacker News acima dos quarenta pontos. Deduplica, corta as vinte e seis horas anteriores com duas de sobreposição para nada se perder na fronteira, e devolve três a cinco candidatos já triados: reagir hoje, guardar para peça de fundo, ou ruído.
A fonte de verdade dos textos não é a base de dados deste site. São ficheiros markdown num repositório à parte, com um cabeçalho onde vivem o título, o resumo, o slug, a língua e as etiquetas. O site é onde o texto acaba, e não onde ele vive.
Isso tem uma consequência prática que já me valeu de mais do que uma vez: se eu partir a base de dados amanhã, os artigos continuam todos ao lado, em texto simples, com histórico de alterações linha a linha.
03 Fluxos
A terceira camada são cinco skills e a canalização que as liga. A varredura da manhã lê o radar e propõe os candidatos do dia. O fluxo de fundo transforma um tema num dossiê de referência e só depois num rascunho. Uma das skills existe para o texto soar a mim, e outra, separada de propósito, audita o rascunho e aponta onde é que ele cheira a modelo. A quinta trata das capas: frase-conceito, prompt pronto a usar, e o texto alternativo nas duas línguas.
A escrita no site faz-se por uma API com chaves por utilizador, com âmbitos que só subtraem permissões e com verificação humana periódica. Um servidor MCP põe isto tudo ao alcance do agente como ferramentas. O importador lê os markdown e converte-os a sério, porque colar markdown no editor do admin não funciona: fica tudo num parágrafo só, com os cardinais e os asteriscos à vista na página pública.
Nada disto publica. É a única regra que a camada de baixo impõe a esta.
04 Decisões
A camada de baixo é a que não corre sozinha. Escolher o tema é meu: o radar traz cinco candidatos por dia e na maior parte dos dias eu não escrevo sobre nenhum. Escolher o ângulo é meu. Chumbar uma peça já escrita, depois de lhe ver o resultado, também é meu, e acontece mais vezes do que gostaria de admitir.
Publicar é o caso mais claro. A API que escreve neste site não tem maneira de publicar uma página, porque o endpoint não existe: podia tê-lo escrito num sábado à tarde e escolhi não o escrever. Para os artigos, a trava está no cliente de HTTP do importador, que levanta erro se a rota que lhe passarem contiver a palavra publish. Podia ter ficado pela intenção, uma nota no ficheiro a pedir que ninguém publique. Uma nota não trava nada às três da manhã, com o agente a correr e eu a dormir.
O crivo de escrita é o mesmo princípio noutra forma. Um rascunho que soe a modelo não sai daqui, e quem o chumba é um detetor que corre contra o texto antes de eu sequer o ler. Um rascunho chumbado volta para trás e reescreve-se; não sai com um aviso pequenino no fim a dizer que foi gerado.
As chaves de acesso seguem a mesma linha. Cada uma vale o que valem as permissões da pessoa que a criou, cruzadas com os âmbitos da própria chave, e exigem uma verificação humana que expira: vinte e quatro horas para operar, quinze minutos para as operações que apagam. O sistema tem de me pedir licença, e a licença acaba sozinha.
O que corre por baixo
- gusdias-signal
- Varredura da manhã e sinal do dia: uma notícia, a leitura de quem implementa, um passo concreto para uma empresa pequena.
- gusdias-article
- Peça de fundo: investigação fresca, dossiê de referência, e só depois o rascunho.
- de-ai-writing
- Devolve o texto à minha voz e tira os tiques de modelo, com limites de frequência em vez de proibições.
- ai-audit
- O detetor. Corre contra o rascunho, mostra onde soa a máquina, e chumba o que não passa.
- gusdias-image
- Direção da capa: frase-conceito, prompt pronto a usar, e o texto alternativo em português e inglês.
- cluster de gems
- Dezasseis agentes de extração, cada um afinado a uma fonte, a transformar notícia solta em sinal com forma.
- signal_monitor.py
- O radar: onze feeds de lançamentos, quatro publicações, arXiv e Hacker News, deduplicados e triados num digest diário.
- mcp_server
- Põe o site ao alcance do agente como ferramentas: listar, ler, escrever rascunhos, carregar imagens.
- /api/v1/
- Chaves por utilizador com âmbitos, cruzadas com as permissões do CMS e com verificação humana por TOTP. Escreve rascunhos.
O que escolhi não automatizar
Publicar. Não por a tecnologia não chegar lá, que chega. É que a assinatura no fim da peça é minha, e um sistema com autorização para publicar sozinho acaba, num dia qualquer, por publicar uma coisa que eu não assinaria.
O que isto custa: menos peças, e algumas fora do tempo delas. Um sinal que devia ter saído na terça sai na quinta porque eu estava com um cliente. Aceito a troca, e não a acho sequer difícil. O que se ganha do outro lado é a única coisa que aqui vale a pena, que é alguém ler isto e saber que a opinião é de uma pessoa.
O que saiu daqui
- Como criar um AI Council no Claude: 5 personas para tomar decisões melhores
- A melhor experiência de cliente em Portugal é a da Autoridade Tributária
- AI Act: o dever de marcar conteúdo de AI não é teu
- O standard que é só uma pasta (e porque isso te devia interessar)
- A guerra dos protocolos de agentes acabou. O mapa que sobrou mente por simetria.
- Query fan-out: cada pergunta que fazes a um motor de AI são dezenas de pesquisas
- Dei as chaves do blog a um agente. Estas são as regras.
- Comércio agéntico: a montra fechou, e a corrida a sério só agora começou
Para falar sobre montar um destes, escreva para me@gusdias.eu.